Ou, neste caso,
heroes.
A minha viatura andava
ligeiramente porquita por dentro.
Um bocadito só. Quase nada. Pronto, está bem, a verdade é que já estava mais do que na hora de levar uma valente limpeza. E assim, fui ter com os 3 marmanjos que me tratam do assunto.
Ehh bruta, logo 3? Ei, ei, então, é só porque é mais rápido. Além disso, eles tratam muito bem dela,
tá? A dona é que não costuma achar muita piada aos olhares e comentários de que é alvo. Mas enfim, pelo menos não são os tradicionais piropos das obras e aguenta-se
quase tudo pelo cheirinho a lavado.
Estava eu à espera, mantendo a distância de segurança mínima para conforto dos meus ouvidos, quando um deles me grita "olhe, por acaso tem alguma aranha de estimação?". Penso que já referi várias vezes
o que sinto em relação a aranhas, particularmente as que me aparecem no carro. Depois de uma ou duas batidas de coração falhadas, lá balbuciei "eeerrr, não... porquê?". Ao que um deles responde, fazendo-me sinal com a mão para me aproximar "bem, há quem goste de tarântulas e esta não anda longe disso, queria só confirmar... olhe ali". Congelei, ao ver a bicha confortavelmente instalada entre o banco do passageiro e a porta. E assim perdi toda a minha postura quando, com a voz a tremelicar, branca de susto e a um
pequeno passo de saltar para o colo de um deles, disse "façam qualquer coisa, matem-na, aspirem-na, afoguem-na, mas não ma deixem aí dentro, por favooooor!".
Num belo exemplo de trabalho de equipa, lá me expulsaram a invasora. A partir de hoje são os meus heróis. Sim, porque um deles comentava, "já pensou o que acontecia se fosse a conduzir e ela começasse a passear perto de si?". Já. Morria.